Sounding Spaces

Funcionamento

A  estrutura do protótipo  está pensada para reflectir  o conceito base  de repetição, seriação e  interacção. O esqueleto da peça é constituído por três paralelepípedos  em madeira  mdf iguais e sobrepostos, com um ecrã de toque acoplado ao paralelepípedo superior.

Plano 3D da peça

A construção teve em consideração a necessidade de albergar sistemas de hardware no seu interior e os blocos, que constituem a peça, possuem um espaço físico de passagem de todo o suporte técnico necessário para a ligação e acomodação dos diferentes hardwares da escultura.
O esqueleto de cada peça possui uma altura de 29cm por 32cm de largura e 38cm de profundidade. A peça composta possui 100 cm de altura, pois o ecrã de tacto acrescenta mais 13 cm à altura total da peça e, com o movimento variável do comprimento, chega aos 50 cm de largura.
Estas dimensões foram pensadas para que a peça não constituísse um obstáculo visual da envolvente e para que permitisse a utilização aos diferentes espectadores com diferentes estaturas em conforto.
O acabamento exterior da peça, como mostra a figura 10, reflecte a vontade conceptual de aproximação e repetição com o uso de vinte mil peças plásticas de legos.
O uso dos legos vem trazer à peça elementos fundamentais de percepção da mensagem,  pois esta marca representa o imaginário de milhões de pessoas e constrói peças que têm já valor icónico.


Detalhes do enquadramento da escultura em diferentes  perspectivas

Este revestimento transforma a peça em algo que possui autonomia estética em função do espaço , ou seja, não se integra no espaço mas respeita uma estética própria pensada com o objectivo do protótipo demonstrar potencialidades em diferentes envolventes que não seriam possíveis de visualizar, estando integrada num contexto específico.
Esta opção deve-se ao contexto de desenvolvimento da peça que surge, numa primeira fase associada a um desafio específico do orientador para a aplicação em local específico, o transportar o interior da Casa da Música para o seu exterior e que por vicissitudes de implementação, se tornou necessário a sua re-contextualização para uma estética autónoma( ver anexo A).
A estrutura operacional completa a peça através da electrónica e multimédia constituídas por um computador com a respectiva aplicação informática, uma aplicação electrónica,  microfone , câmara, e um  controlador Bluetooth MXT produzido pela Lego (ver fig. 11).
Estas componentes da peça testam o conjunto de objectivos demonstrados anteriormente e tentam criar relações de comunicação, de entretenimento e interacção com a peça.
A escultura funciona em três vectores  operacionais principais.


H
ardware  base para o funcionamento da escultura da escultura

     Movimento

O movimento é parametrizado através de uma câmara que grava as reacções dos participantes no espaço da peça, este movimento tem uma resposta em tempo real visual no monitor de tacto.


Imagem da aplicação informática com imagem em tempo real e a imagem resultante da programação.

Este feedback visual proporciona dois efeitos notados imediatos, desperta a curiosidade, incentivando ao toque no monitor e proporciona uma apropriação da peça do espaço envolvente. A imagem visualizada é decomposta a baixa resolução de dez por vinte pixel o que relaciona as formas rectangulares visíveis com o contexto exterior da peça em legos com a imagem capturada no espaço(ver fig).
A imagem projectada é alterada e vai-se moldando numa relação directa com o ecrã de toque, as cores e contrastes variam com o objectivo de potenciar uma procura e interacção no ecrã.

     Visibilidades

A relação estética da peça tripartida em paralelepípedos foi pensada  de forma a poder proporcionar relações directas com o programa.
A escultura tem uma forma em constante construção e movimento proporcionada por motores comunicantes ligados através do MXT à  aplicação informática.
Este efeito dinâmico gera surpresa embora a implementação deste movimento apenas tenha sido feita no paralelepípedo superior.


Detalhes da imagem  da  peça 

      Som

A escultura forma o som através da recolha de extractos sonoros em tempo real que processa e sintetiza. O som gerado contribui e relaciona a realidade exterior  com a que ocorre em simultâneo na aplicação do computador.
A relação de repetição é clara e a construção sonora inicia-se quando o nível sonoro em redor da peça aumenta. A relação com o ecrã de tacto, que provoca variações sonoras é a fonte de comunicação. Este factor foi pensado por forma à peça não ocupar em permanência o espaço acústico.
Como mencionado no capítulo anterior, ao pesquisar sobre esculturas sonoras, o principal factor contrário à  implementação de uma peça no exterior é a forma de esta se apropriar por completo de todo o espaço acústico. Neste caso, em específico, era importante que a amplitude sonora não só, não perturba-se e se apoderasse por completo do espaço mas também para que não se tornasse um factor de incómodo  sonoro permanente para os residentes.
Desta forma a peça só tem feedback sonoro quando o seu espaço de envolvência próximo estiver ocupado e desliga esse feedbak quando não há relação e interacção directa com a peça.